Páginas

domingo, 3 de fevereiro de 2013

SABEDORIA DRUIDA


(Tom Air)

O céu com malhas nas nuvens
Como se fossem feitas por pincel
Para serem emolduradas em um arrebol
E expostas acima das montanhas como uma obra de arte

Nessas colinas há um altar maior
Feito por árvores anciãs e druidas ascendentes
Os novos filhos de Gaya
São como florestas que criam rugas pela eternidade

Seres de vida infinita
Ate quando dure a vida
Mesmo sem dispor de folhas, galhos, flores e frutos
Para alimentar as próprias raízes

Aprenderam a dominar a fotossíntese
Cabedal da Sabedoria Druida
Não precisam virar adubo
Encontram na luz o melhor banquete
  

ESCONDERIJO SUBURBANO


(Tom Air)

O que há por trás dessas fachadas encarquilhadas
Por trás de tantas bitucas de cigarros pelas calçadas
Vejo essas caras de desgosto

De quem viu o tempo passar pelas mãos
Voraz, perpetrando a velhice
Tola e caduca ao invés de sábia

Sem netos nem filhos
Sem amigos ou alguém que se goste
A cara de desgosto foi por ter a pior sorte

Rebaixamento



As em branco
Um trunfo, um triunfo
Embaralhado por mágicos
Uma carta fora do baralho


Farol Translúcido


Sinta o eco dos momentos
Eles estão interligados aos sentidos
Os sentimentos luzem a cada instante
No reflexo dos raios de sol

Busque o brilho que lhe completa
Não procure ofuscar-se em um clarão
Valorize seu feixe de luz
Encontre nele o abrigo à escuridão

Na luminescência do luar
As luzes se mantêm acessas
Sobre o encontro dos corpos
O orvalho cintila junto ao suor

A solidão tateia nas sombras
Distante da vivacidade luminosa
Em busca de um sentido ao sentimento
Ao invés de dar sentimento à razão

Arrebol com Chuvisco



As nuvens claras acompanham a chuva
Brilham entre nevoas escurecidas
O sol aquece os pingos que caem
Soltando vapor com o calor do asfalto

Quem se abrigaria em um guarda-chuva?
Disposto a perder um encontro de extremos
Onde o ciclo deságua em parceria
Formando um chuveiro naturalmente morno

A natureza se mostra versátil e irreverente
Distante da monotonia do clima
Quase sempre é chuva ou sol!
Quem prefere não um arrebol com chuvisco?

Vagas no Vagão



Não vou correr em vão
Eu vou buscar o trem
Aonde quer que ele vá
Seguindo em passos largos

Penduro-me no lado de fora
Não preciso de acento
Contento-me em ficar de pé
O destino é a mesma estação

Na trepidação dos trilhos
Meus pulsos estão firmes
Sigo na carona
Enfrentando túneis e pontes

Há quem diga que não é correto
Critica sem moral
Pois já nasce em seu acento
Sem a adrenalina da viagem

Simples Esporte



Quem consegue caçar mais?
Seguindo o instinto das futuras provisões
Existem garoupas, micos-leão e araras
Garças, onças e as tartarugas marinhas
                                                 
A armadilha está armada no currículo
Nas grades da conta bancária
Para muitos a caçada é pela sobrevivência
Em outros casos é um simples esporte...

Inúmeras espécies são mantidas vivas
Alimentadas com bastante juros
Do outro lado, uma extinção monetária
Já que a fome não permite preservação